O meu Recife submerso!

No livro de memórias, ainda não publicado, faço uma quase paráfrase da célebre tela do grande pintor pernambucano Cícero Dias intitulada “eu vi o mundo…ele começava no Recife” e digo que também o mundo que vi começava em Olinda e Recife.

A minha Olinda ia do Convento e Igreja de Santa Teresa que, para os que vêm de Recife, fica um pouco antes do Varadouro e terminava na então chamada Praça do Farol, hoje Praça 12 de março, onde o bonde que ligava a nova capital à antiga dava a volta. Daí a canção do mestre Capiba que dizia “quem vai pra farol é o bonde de Olinda”.

Meu pai nasceu na Praia dos Milagres e eu, na minha infância e adolescência, passava as férias de verão – inesquecíveis – na de São Francisco, onde os Figueiredo tinham várias casas à beira mar. Este era, não só para mim e meus irmãos como também para meus primos, o nosso fantástico mundo! Tudo de bom ali ocorria: passeio de jangadas, jogos de futebol, pegar jacaré nas ondas, serenatas, namoros, banhos de mar com papai logo cedinho e no fim da tarde quando ele voltava do trabalho. Desta praia, como igualmente a dos Milagres, a rigor, nada mais existe. Apenas o Fortim do Queijo e a Capela de São José dos Pescadores sobrevivem. Todas, absolutamente todas, as casas da família estão tristemente no fundo do mar que avançou impiedosamente no que pesem as inúmeras tentativas de enrocamento. Talvez volte para lá quando Margarida e meus filhos jogarem as minhas cinzas nessa parte do Atlântico.

Agora há o incontestável prenúncio de que uma boa parte da capital pernambucana terá o mesmo fim. Para minha desolação – e de milhões de outros – será fundamentalmente o meu Recife: o que ia, beirando o litoral, algo como 15 quilômetros, da Fábrica da Tacaruna até a Pracinha de Boa Viagem, onde se dançava ciranda às tardes de domingo e da qual sempre me lembro ao ouvir meu amigo Geraldo Azevedo cantando Dia Branco (…”numa praça na beira do mar”) e, afastando-se do mar, do Marco Zero até aos bairros da Várzea, Caxangá e Dois Irmãos, distância mais ou menos igual. Para os que não conhecem a cidade, praticamente ficam de fora, apenas, os morros dos bairros de Casa Amarela, Beberibe e Água Fria, onde tiveram de se refugiar os moradores pobres da cidade quando foram erradicados, pela Liga Social Contra os Mocambos, dos alagados onde viviam em palafitas. Estariam a salvo, igualmente, bairros como Monteiro e Apipucos, locais de residências de uma parte da chamada elite pernambucana, muito dela vinda da civilização do açúcar.

Portanto a belíssima cidade, seu centro histórico, os bairros nascidos do período holandês, quando a geografia era de pequenas ilhas e muitos istmos, como Santo Antônio , São José e até mesmo a Boa Vista, suas extraordinárias igrejas, rios e pontes, monumentos, sua deslumbrante arquitetura, os maravilhosos museus, as praias de águas mornas, tudo isso desaparecerá. Para quem não sabe, ali, atualmente, quando a maré alta é forte, os bueiros de muitas ruas e avenidas recifenses, ao invés de escoar as águas pluviais, jogam mais líquidos para os logradouros.

O mais sério, centenas de milhares de pessoas que moram na capital pernambucana terão de se refugiar majoritariamente em outras cidades situadas numa altitude maior ou – o que será bem mais possível – uma suposta necessária intervenção urbanista expulsará os pobres dos morros, justificando-a com razões falsamente humanitárias.

Não vou me meter a entender bem e, sobretudo, a explicar porque isto está ocorrendo. Todos sabemos, sem maiores aprofundamentos, que é decorrente, em especial, do aquecimento global. Que o que está acontecendo não tem como principal causa as nossas formas atuais de ser e agir. Vem de longe e acelerou-se com a revolução industrial na segunda metade do século XVIII e com a crescente urbanização da humanidade. A agricultura e a pecuária deram, a partir de sua industrialização, no século XX, uma significativa contribuição. Como lembra um slogan repetido na mídia brasileira, “o agro é tudo”, inclusive a monocultura, a concentração fundiária, o desmatamento e a progressiva destruição de alguns de nossos biomas. O que importa é que, se nada ou quase nada fizermos para evitar esta catástrofe, muitas outras regiões; campos e cidades; nações e continentes; mares e rios, plantas, animais e pessoas estarão sendo extintos e morrendo. Não vale dizer “e daí?” nem pensar covardemente que nada temos com isto. Portanto, o quê fazer?

Dada a dimensão desta catástrofe, muito terá de ser feito pelas instituições e organizações internacionais e pelos países que mais são responsáveis por este desastre. Para tal é necessária uma permanente e crescente pressão das sociedades. Pensar que um pretenso declínio do capitalismo e do neoliberalismo vai freiar este processo é, a meu ver, um grande erro. O capitalismo, como nos ensina Joseph Schumpeter, é movido a destruições criadoras. E a corrida espacial iniciada por megaempresários e poderosos países já mostra que uma nova onda de acumulação se forma, após a das redes digitais, “softwares” e as novas mídias.

Várias ações, porém, podem e devem ser realizadas por empresas, pela sociedade civil, grupos e pessoas. É a parte que nos cabe nesse grande embate. Listo, superficialmente, a título de exemplo algumas delas:

  1. a substituição dos combustíveis fósseis e de tudo que é por eles feito; 2. a adoção crescente de energias limpas; 3. o uso do transporte público e de meios de locomoções saudáveis e não poluentes; 4. a adoção da coleta seletiva do lixo; 5. a preferência pelos produtos local e/ou regionalmente produzidos e comercializados; 6. o estímulo ao florestamento e ao reflorestamento; 7. a opção por aquilo que é produzido sustentavelmente e o boicote ao que não o seja; 8. a assistência aos povos originários e à pequena produção rural; 9. a defesa dos mares, dos rios e das matas ciliares; 10. o investimento em pesquisa científica, técnica e tecnológica que vise a salvar ou recuperar o meio ambiente; 11. o firme apoio às organizações que defendem a fauna, a flora e as pessoas que vivem neste pedaço do universo.

Caso nada façamos, “o sertão vai virar mar” e depois, “o mar vai virar sertão”. O nosso lindo planeta azul se tornará um imenso Marte. Triste e trágico.

O consumismo traz felicidade?

Ainda horrorizado pela “Black Friday” e já sentindo a loucura que a mídia e todos os meios de comunicação, com seus exércitos de publicitários criativos e inteligentes, nos reservam neste período natalino, fico pensando nos males que o consumismo provoca nas pessoas, nas sociedades e no meio ambiente.

Evidentemente, todo ser humano, em qualquer época e lugar que tenha existido ou que viva atualmente, precisa consumir bens e serviços. Sobre isso não há dúvidas. Quero falar é sobre algo forjado e expandido a partir da Revolução Industrial do século XVIII. Aí está a principal gênese desse desejo obsessivo-compulsivo, presente em tantos de nós, de adquirir coisas ou de comprar momentos esperando que nos proporcionem alegria e felicidade.

Com a internet, essa patologia do consumo desenfreado de tudo o que nos é apresentado como mais moderno, funcional ou ostentatório passou a atingir mais e mais pessoas e em qualquer lugar do planeta, causando, sobretudo nas crianças e adolescentes, efeitos maléficos que perdurarão por toda a vida. Os doces, brinquedos teleguiados, passeios estereotipados, jogos eletrônicos, etc. podem vir a se transformar em desejos bem mais irrealizáveis e perigosos para a sua própria saúde e para a sanidade de muitos outros. Algumas dessas pessoas serão candidatas às depressões.

Nossas sociedades, pouco a pouco, estão sendo compostas por pessoas permanentemente insatisfeitas, que querem sempre mais. Gente com a convicção de que estão ficando para trás, perdendo o bonde da história, tornando-se obsoletas.  Se não tiverem cuidado, acabam procurando refúgio no crime, na ladroagem efetiva ou camuflada, nas religiões que pregam a “prosperidade”, nos líderes políticos que irresponsavelmente prometem a realização de sonhos dourados. Mesmo que não conscientemente, passamos a fazer parte do time dos que querem é “se dar bem”. O resto que se lasque. “Que tudo mais vá pro inferno”.

Os que mais ganham com este insensato movimento são os detentores das empresas, os coletores de impostos, as mídias e publicitários por eles financiados, o capital financeiro, os bancos e outras organizações financeiras, com seus créditos apetitosos e que, a partir da caderneta de poupança, progressivamente nos levarão ao “paraíso” das criptomoedas. Ao meio ambiente cabe o lixo cada vez maior e de tudo, inclusive o eletrônico. À maioria dos consumistas restará a sensação de perene insatisfação. Dificilmente serão solidários, defensores da natureza, empáticos com os que sofrem solidão, perseguição e miséria.

Contra isto, surgiu o minimalismo. Pessoas buscam adquirir apenas aquilo que lhes proporciona uma vida simples, em harmonia consigo mesmo, com os que os cercam e com o meio ambiente, e onde sejam felizes. Ser minimalista não é fácil. Por vezes são vistos como esquisitos, antissociais e retrógados. Creio que este é o preço que se paga por gritar que “o rei está nu”. Talvez haja meios termos. Pode ser. Vamos, portanto, tentar.

Que reduzir, reutilizar e reciclar, nessa ordem, sejam atitudes a cada dia mais internalizadas por todos nós, para que possamos, cada um a sua maneira e dentro de suas possibilidades, contribuir para que retiremos da natureza somente o que precisamos e a ela devolvamos menos lixo e mais cuidado. A Terra, a humanidade e as gerações futuras nos agradecerão!

O português não está “off”.

.Na última semana os jornais impressos, as emissoras de rádio, as redes de TV, os carros de som, pregões em centros de compras populares e as empresas de publicidade entupiram nossos ouvidos com supostas maravilhas da Black Friday. Já há alguns anos sinto-me profundamente incomodado ao ouvir e ler essa avalanche de palavras em inglês em nosso dia a dia. Eis o que penso:

Nada contra qualquer idioma, muito menos em relação à linguagem usada por Shakespeare, Charles Dickens, Edgar Allan Poe e John Lenon. Tenho orgulho e alegria pelo fato de meus filhos e netos entenderem e falarem o inglês, bem como, nesse vernáculo, cantarem belíssimas canções. Lembro-me que na minha infância e adolescência, durante os jogos de futebol que assistia em Recife, nos campos dos Aflitos ou na Ilha do Retiro, os torcedores usavam – inclusive eu – expressões como goalkeeper, becker, center half, center forward, corner, offside e hand, afinal, foram os britânicos que criaram esse jogo. Mas todas elas foram rapidamente aportuguesadas ou substituídas por vocábulos de nossa língua. Em Portugal, fenômeno semelhante ocorreu e goleiro, lá, é chamado de guarda-rede.

Tenho a impressão que agora a coisa é mais séria. Não percebo qualquer esforço para traduzir palavras como spoiler, podcast, hashtag, airfrayer, outlet e muitas outras. Mesmo palavras existentes em nosso idioma foram “anglicizadas” e passaram a ser halloween, delivery, takeaway, smartphone, the best, shopping, free, prime. Cuecas masculinas, com exceção da tradicional samba-canção, são denominadas slip ou boxer. Se tudo isso não bastasse, até amor, amigo, irmão estão virando love, friend e brother.

Quando fomos morar em Brasília, no início da década de 70, havia dois polos principais de vendas para os que se situavam da classe média para cima: o Conjunto Nacional, no centro do Plano Piloto, e o Centro Comercial Gilberto Salomão, no Lago Sul. Ambos ainda existem com as mesmas denominações. A partir de um certo momento, tudo o que se construiu, na Capital Federal e em várias cidades brasileiras com o mesmo objetivo, passou a chamar-se Shopping ou Mall.

Não deixemos que isso prossiga. Somos brasileiros e a nossa língua é o Português, idioma o qual, na Europa, Luiz de Camões, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa e José Saramago tão bem manejaram, e que, entre nós, foi e continua sendo instrumento de trabalho de Machado de Assis, Graciliano Ramos, Darcy Ribeiro, Gonzaguinha, Ivan Lins, Chico Buarque, Caetano e Gil. O grande Fernando Pessoa, através de seu heterônimo Bernardo Soares, em sua obra intitulada “O Livro do Desassossego” declara enfaticamente que “minha pátria é a língua portuguesa”. Olavo Bilac, de forma elitista e perfeccionista própria dos parnasianos, exalta a última flor do lácio e sua beleza, embora lamente o uso inculto que dela se faz. Paulo Freire, ao contrário, voltando ao Brasil após sua longa permanência na África, dizia que o idioma português é bem maior do que o ensinado como língua culta em nosso país. Com isso concorda Caetano Veloso ao dizer que “minha pátria é minha língua”. No entanto, diz o poeta baiano, o essencial é que se ouça a Mangueira: “Fala Mangueira, fala!”.

Portanto, usemos e exijamos que se utilize o português. Que seja respeitada nossa identidade. Esta é uma forma de enfrentar a pasteurização que as grandes corporações internacionais, o capital financeiro e as mídias a eles vinculadas e/ou por elas financiadas, querem nos impor. Basta! Resistamos!

Por que um blog.

Um teste de ancestralidade que fiz recentemente informou que tenho 34 % de origem italiana (sobre a qual ninguém nunca me falou), 23% de Ibérica, 18% da Europa Ocidental, 7% do Magrebe (região do Noroeste da África que inclui territórios do Marrocos, Tunísia, Argélia, e parte de Mali, Líbia, Mauritânia e da área disputada do Saara Ocidental), 5% de Basco, 4% dos Bálcãs, 3% do Leste Europeu, 3% de Judeus, menos de 2% da Arábia e do Egito, menos de 2% da Patagônia e menos de 2% do Sul da Ásia. A ser verdadeiro, isto comprovaria que, como bilhões de pessoas, fui gerado numa maravilhosa saga de milhares de anos. Não há de negar que sou – com orgulho e alegria – mestiço.

Nesse caminho até mim, inúmeras e longas viagens por desertos, glaciares, mares, oceanos e cordilheiras, de tribos, clãs, legiões com guerras, tréguas, pacificações, amasiamentos, migrações, buscas por refúgios, negociações, tendo diferentes religiões com seus deuses, santos e profetas e com muitos, mas muitos mesmo, debates e diálogos. Em idiomas que, muitos deles, nem mais existem. Isto ocorreu para que eu existisse, E, de diferentes formas, aconteceu com todas as pessoas que participam da humanidade.

Na minha infância, morando com meus pais e irmãos num casarão de meus avós em Recife, vi admirado a reunião que nele ocorria, nos almoços de domingo, em que todos os Figueiredo se reuniam em torno de duas mesas. No salão principal, onde ficava a maior delas, para cerca de vinte pessoas, e na qual se sentavam os mais velhos e convidados a barulheira era grande: sorrisos, falas e conversas em altos brados e discussões acaloradas. Era um misto de banquete, de assembleia e de comício. Sentia que não eram exigidos consensos e que tudo terminava bem. No outro domingo a mesma coisa acontecia. E penso que éramos felizes. Eu, com certeza, sim.

Na pré-adolescência e na adolescência, na casa de meus pais, escutava longas e acaloradas discussões de meu pai, oriundo de família conservadora, udenista, mas que se convertera ao getulismo, com meu irmão mais velho, admirador de Luís Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança. Meu irmão militava em organizações de juventude que compunham uma linha auxiliar do Partido Comunista. Falavam muito e, ambos, com sincera convicção. Ao final, beijavam-se e eram grandes amigos.

Fiz política estudantil na histórica Faculdade de Direito de Recife. Ali tudo se discutia. Principalmente, filosofia, economia e política. Lutei pelas reformas de base. Participei da Juventude Universitária Católica, exercitando o método de Ver-Julgar-Agir. Foi no ambiente de muita discussão que me tornei cidadão.

Depois, fui aluno dos seminários católicos de João Pessoa, Olinda e Lyon, na França. Participei de um ambiente livre para o debate. Vi nascer e se firmarem as Comunidades Eclesiais de Base, o Concílio Vaticano II e a Teologia da Libertação. Tudo que era humano tornou-se importante para mim. Progressivamente passei a ser um cidadão do mundo. E nada disso foi feito sem intermináveis conversas.

Tive a sorte de ser amigo de Dom Helder Câmara e de trabalhar com Paulo Freire na Campanha Nacional de Alfabetização. Ambos eram pessoas extraordinárias na arte de ouvir e de falar. Aprendi muito com eles. Sobretudo a aprender.

Minha vida profissional, como educador e como profissional da Extensão Rural Brasileira foi um rico aprendizado sobre as pessoas seus grupos e associações. E sobre mim mesmo. Isso só foi possível com muita discussão. Casei com uma excepcional mulher que tinha como profissão ser assistente social estimulava mulheres e homens do campo a serem donos de seu destino. Com ela aprendi a compreender como é difícil e necessário que eles e suas organizações sejam sujeitos de suas vidas.

Aposentado e envelhecido, octogenário, constatei que para continuar vivo precisava ouvir e falar. Tentava exercitar este ofício, dialogando com as pessoas que encontrava nos supermercados, bancos, postos de gasolina e com funcionários e vizinhos do condomínio onde morava. Com a pandemia do covid 19 tive de isolar-me. Restaram para mim os sábados ou domingos quando nos reuníamos, em torno da mesa minha esposa, minha filha mais velha, meu genro e um dos meus netos. Aí eu discorria sobre quase tudo, principalmente sobre minhas lembranças e sobre meus temores diante de um mundo que insiste em exterminar-se e onde a intolerância ante os que pensam e agem diferentemente é predominante.

Fui estimulado a entrar num grupo de WhatsApp composto por membros da família. Ótimo. Mas pouco a pouco, constatei que escrevia mensagens extraordinariamente longas, as quais, suponho, poucos tinham paciência de ler. E tinha de zelar para não expor tudo o que pensava porque isto poderia causar problemas para quem não concordava comigo e com isto, eventualmente, causar deserções do grupo. Um agravante é o fato de que sou o vice decano desta família com centenas de membros. E dos decanos é exigido, pela liturgia do cargo, não tocar em pontos nevrálgicos nem expor posições que possam causar ou acirrar muita discórdia.

Foi quando, numa dessas reuniões, alguém teve a ideia de um blog, que, a bem da verdade, não sei bem o que seja. Mas nele pretendo falar sobre o que julgo necessário e ouvir os que quiserem concordar, discordar ou acrescentar algo ao que penso. Sempre respeitando as divergências, sem raiva e sem ódio. Falar é preciso. Ouvir é necessário. Viver, nem tanto. Vamos ver se funciona.