O consumismo traz felicidade?

Ainda horrorizado pela “Black Friday” e já sentindo a loucura que a mídia e todos os meios de comunicação, com seus exércitos de publicitários criativos e inteligentes, nos reservam neste período natalino, fico pensando nos males que o consumismo provoca nas pessoas, nas sociedades e no meio ambiente.

Evidentemente, todo ser humano, em qualquer época e lugar que tenha existido ou que viva atualmente, precisa consumir bens e serviços. Sobre isso não há dúvidas. Quero falar é sobre algo forjado e expandido a partir da Revolução Industrial do século XVIII. Aí está a principal gênese desse desejo obsessivo-compulsivo, presente em tantos de nós, de adquirir coisas ou de comprar momentos esperando que nos proporcionem alegria e felicidade.

Com a internet, essa patologia do consumo desenfreado de tudo o que nos é apresentado como mais moderno, funcional ou ostentatório passou a atingir mais e mais pessoas e em qualquer lugar do planeta, causando, sobretudo nas crianças e adolescentes, efeitos maléficos que perdurarão por toda a vida. Os doces, brinquedos teleguiados, passeios estereotipados, jogos eletrônicos, etc. podem vir a se transformar em desejos bem mais irrealizáveis e perigosos para a sua própria saúde e para a sanidade de muitos outros. Algumas dessas pessoas serão candidatas às depressões.

Nossas sociedades, pouco a pouco, estão sendo compostas por pessoas permanentemente insatisfeitas, que querem sempre mais. Gente com a convicção de que estão ficando para trás, perdendo o bonde da história, tornando-se obsoletas.  Se não tiverem cuidado, acabam procurando refúgio no crime, na ladroagem efetiva ou camuflada, nas religiões que pregam a “prosperidade”, nos líderes políticos que irresponsavelmente prometem a realização de sonhos dourados. Mesmo que não conscientemente, passamos a fazer parte do time dos que querem é “se dar bem”. O resto que se lasque. “Que tudo mais vá pro inferno”.

Os que mais ganham com este insensato movimento são os detentores das empresas, os coletores de impostos, as mídias e publicitários por eles financiados, o capital financeiro, os bancos e outras organizações financeiras, com seus créditos apetitosos e que, a partir da caderneta de poupança, progressivamente nos levarão ao “paraíso” das criptomoedas. Ao meio ambiente cabe o lixo cada vez maior e de tudo, inclusive o eletrônico. À maioria dos consumistas restará a sensação de perene insatisfação. Dificilmente serão solidários, defensores da natureza, empáticos com os que sofrem solidão, perseguição e miséria.

Contra isto, surgiu o minimalismo. Pessoas buscam adquirir apenas aquilo que lhes proporciona uma vida simples, em harmonia consigo mesmo, com os que os cercam e com o meio ambiente, e onde sejam felizes. Ser minimalista não é fácil. Por vezes são vistos como esquisitos, antissociais e retrógados. Creio que este é o preço que se paga por gritar que “o rei está nu”. Talvez haja meios termos. Pode ser. Vamos, portanto, tentar.

Que reduzir, reutilizar e reciclar, nessa ordem, sejam atitudes a cada dia mais internalizadas por todos nós, para que possamos, cada um a sua maneira e dentro de suas possibilidades, contribuir para que retiremos da natureza somente o que precisamos e a ela devolvamos menos lixo e mais cuidado. A Terra, a humanidade e as gerações futuras nos agradecerão!

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